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Especial-20170625

10 - São José do Rio Preto, domingo, 25 de junho de 2017 DIÁRIO DA REGIÃO Caderno Especial Seminário Agronegócio Água no campo depende da cidade A cada 100 litros de água tirados da natureza, 72 são utilizados na produção agrícola e 11 na  pecuária. A zona urbana consome apenas 9% deste total, mas é capaz de poluir todo o resto Nicanor Batista Júnior: investimentos para manter boa qualidade da água que chega à zona rural Elton Rodrigues elton.rodrigues@diariodaregiao.com.br Sem água não existe o agronegócio. E quando se fala em desenvolvimento do setor pensando em sustentabilidade e respeitando o meio ambiente, é preciso pensar no uso racional da água e no aumento da disponibilidade de recursos hídricos. “A cada 100 litros de água potável que retiramos do meio ambiente, 72% são utilizados na agricultura e 11% na pecuária. Apenas 9% vão para o abastecimento humano na área urbana”, disse o superintendente do Serviço Municipal Autônomo Água Esgoto (Semae) de Rio Preto, o engenheiro Nicanor Batista Júnior. Os 8% restantes têm outros destinos. Ele participou do Seminário "Agronegócio, Sustentabilidade e Meio Ambiente", discorrendo sobre o tema “A água como fator estratégico na cidade e no campo”. Batista Júnior reforçou a importância de se ter rio e córregos limpos para garantir a qualidade da água para os produtores rurais. “Toda a cadeia produtiva, pequenos sítios e fazendas, usa essa água para regar suas hortaliças e para o gado beber. Ter o cuidado com a captação da água, seu uso e tratamento nos meios urbanos, é essencial para que o produtor tenha à disposição este insumo em quantidade e qualidade necessárias para o desempenho da produção agropecuária”, afirmou ele. De acordo com o superintendente, Rio Preto tem 160 mil ligações de água e uma rede de 2 mil quilômetros de extensão. 93% do abastecimento é público e 7% de sistemas independentes, como condomínios e grandes indústrias que possuem poços artesianos. Essa rede é abastecida por 278 poços do aquífero Bauru, oito poços profundos do aquífero Guarani e pela Represa Municipal. Tudo isso para dar conta de 250 litros de água potável para cada rio-pretense por dia, quantidade acima do que é considerado suficiente pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse alto consumo gera dois problemas, segundo Batista Júnior. O primeiro é a escassez de água. O segundo, a grande quantidade de esgoto gerada. “Rio Preto produz atualmente 90 milhões de litros de esgoto por dia. O grande desafio do futuro é utilizar água de reuso”, afirmou o superintendente. Para ampliar a captação, o município está dando andamento ao projeto de retirar água do rio Grande. “A nossa preocupação é com a água superficial. Já foi licitado e contratada a empresa para fazer o projeto de captação do rio Grande”, disse. “A terra é uma ilha, nós não temos para onde correr, então o desafio é manter o abastecimento”, afirmou o superintendente. ETE será ampliada para atender 600 mil O superintendente do Semae anunciou ainda a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) para atender mais 150 mil pessoas e passar sua capacidade para atender 600 mil habitantes, o que é suficiente para atender a demanda do município por mais duas décadas. Serão investidos R$ 25,1 milhões na ampliação da ETE e R$ 14,7 milhões na construção de interceptores e uma estação elevatória no distrito de Talhado. Os investimentos fazem parte de um pacote de R$ 80 milhões para obras de saneamento e abastecimento de água liberado pelo Ministério das Cidades. “Com a construção de mais um módulo de tratamento de esgoto, a ETE ampliará sua capacidade de atendimento para mais 150 mil pessoas. Quando a obra estiver finalizada, serão 600 mil pessoas atendidas”, disse Júnior. Já a construção de interceptores e de uma estação elevatória em Talhado vai beneficiar o distrito e os loteamentos adjacentes. (ER)


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